A Federação Nacional de Educação (FNE) considera que o número divulgado de professores com horário zero no próximo ano lectivo é “preocupante”. “Não há professores a mais” nas escolas, mas sim falta de resposta às necessidades, defende a estrutura, depois de conhecido que mais de 13 docentes ficaram com horário zero.
“Ainda não sendo os números finais, uma vez que ainda há possibilidade de serem feitas alterações - e a FNE entende que muitas alterações terão que ser feitas - são números preocupantes”, disse à Lusa a vice-secretária geral da FNE, Lucinda Dâmaso.
Para a responsável, é claro que “não há professores a mais nas escolas”, dando como exemplo os resultados da segunda fase dos exames nacionais do ensino secundário. “Para nós é um dos maiores contrassensos termos tido resultados da segunda fase dos exames nacionais e visto o insucesso que há e dizer que professores dessas disciplinas estão sem componente lectiva. Os professores são fundamentais para o apoio a esses alunos”, criticou.
“A escola ainda não está a ser organizada no sentido de dar as respostas educativas que previnam o insucesso escolar. A FNE continua a defender, e dirá de novo ao Ministério da Educação, que as indicações que sejam dadas às escolas vão no sentido de que todos os professores são necessários para o combate ao insucesso e abandono escolar”, acrescentou.
A FNE sugere que as escolas deviam ter bolsas de professores nas diferentes áreas para apoiarem os alunos quando estes não conseguem acompanhar o ritmo de aprendizagem.
Mais de 13 mil professores do quadro estão sem horário para o ano lectivo de 2012/2013 e sujeitos a concurso de mobilidade interna, indicam dados provisórios do Ministério da Educação e Ciência divulgados esta quarta-feira.
Segundo os números publicados na página da Direcção-Geral da Administração Escolar (DGAE), as escolas declararam 13.306 professores do quadro sem componente lectiva.
Da estimativa inicial feita pelas escolas e declarada através da plataforma informática, 1.548 professores do quadro foram já “resgatados” aos horários zero através das medidas de combate ao abandono e promoção de sucesso escolar que o Governo divulgou a 17 de Julho.
Os professores de Matemática, Inglês e Português foram dos grupos mais beneficiados com estas medidas. Por exemplo, 180 professores de Português passaram a ter serviço, enquanto 121 de Matemática foram também “salvos” dos horários zero.
Fonte: http://www.publico.pt/Educação/fne-considera-preocupante-numero-de-professores-sem-horario_1557398#