O Ministério da Educação e os sindicatos reúnem-se hoje para discutir os horários dos professores, uma das matérias do Estatuto da Carreira Docente não alterada no acordo de princípios assinado no dia 08 deste mês.
Os dois principais sindicatos de professores exigem ao Governo uma redefinição dos conteúdos das componentes lectiva e não lectiva, de forma a evitar "distorções" nos horários e o "cansaço" ao fim de apenas dois meses de aulas.
João Dias da Silva, da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE), lembra, por exemplo, que uma aula de substituição é considerada componente não lectiva, tal como as actividades de acompanhamento e apoio aos alunos.
"Há um erro de conceptualização que precisa de ser corrigido. A carga horária dos professores está sobrecarregada. Ao final de dois meses de aulas os professores já estão cansados devido ao excesso de trabalho", denuncia o sindicalista.
João Dias da Silva denuncia a realização de muitas reuniões desnecessárias ou marcadas em duplicado, atribuição de tarefas administrativas já realizadas em anos anteriores, elaboração de documentos demasiado extensos sobre contextualizações de turmas e alunos, entre outros.
"Há professores que estão nas escolas 42, 43 e 44 horas por semana, repetidamente", afirmou, anunciando que a FNE vai realizar no dia 19 um seminário sobre a organização dos horários dos professores, divulgando boas práticas assim como situações de "atropelo, excesso e ilegalidade".
Por isso, para a FNE, é necessário estabelecer com clareza a distinção entre o que é a componente lectiva, não lectiva de estabelecimento e "o respeito que deve ser atribuído ao tempo de trabalho individual".
"O tempo do professor não está todo à disposição da escola. Tem de ver respeitado o seu tempo de vida familiar e pessoal, mas também ter tempo para estudar, actualizar ou preparar aulas", acrescentou.
Fonte: Lusa
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